A CIGANA

Qual o gosto do beijo de uma cigana apaixonada, que transpira sensualidade, pelos seus poros rosados que soam, ao ouvir as castanholas e o violão flamenco de um homem de brinco e cabelos negros?

O homem tem o olhar do Don Juan e com esse olhar, tentar seduzir a ciganinha que baila com seu vestido longo e de cores variadas.

A mulher eleva seus olhos ao encontro aos do cigano e puxa seus lábios 

como se fosse lançá-lo um beijo.
Mas ela se mantém em sua dança e seus impulsos sensuais.

Mas a cigana se deleita aos ouvir os arpejos perfeitos do violonista,

que toca com a alma de sedução do Orfeu tocando para sua amada Eurídice.
Por fim, a cigana se aproxima com suas castanholas e sussurra 

ao ouvido do violonista encantado.

O sussurro não pôde ser ouvido, mas a ação seguinte veio acompanhada de um beijo caloroso e um fechar de olhos que parecia ser um sonho interminável.

O beijo chegou ao fim e a cigana partiu.
Ao músico até então, lhe restou mais acordes a dedilhar em seu violão e nada mais naquela noite que pareceu eterna do começo ao fim daquele beijo.


Moises Bottas

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