O Amor, quando se revela...
(Fernando Pessoa)

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.
Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer
Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
Pra saber que a estão a amar!
Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!
Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Um comentário:

  1. Quando fala é quente,
    Pois fala com a mente.
    Fúria indecente,
    complexa e imprudente.

    Amor é paixão sem asas,
    ruptura incandescente
    na alma exposta ao mar dos sonhos.

    Sem escrúpulos ou vaidade,
    amor esse de tenra idade.
    Vai e volta sem parar,
    fazendo o sol aumentar.

    Meu corpo, minha alma,
    minha luz, minha jornada.
    Tudo como um só caminho,
    apenas com um carinho.

    Amor meu, que corre solto
    pelo mundo, não como um
    pobre moribundo, mas como
    a águia forte e benfazeja.

    Ecoe, amor, pela floresta do sonho.
    A melodia do vento e das águas,
    para que carregue em mim sua luz,
    Assim como o fogo que reluz,
    o brilho da noite e da cruz.

    Ecoe, amor, pela fortaleza do coração,
    trazendo a paz quando encontrar,
    alguém à nível, para amar.

    http://www.sinonimodeoutono.blogspot.com/

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